HUMOR
Piadas de Português

Calma, não se preocupem, não estamos politicamente incorretos, querendo gozar nossos patrícios lusitanos.Trata-se apenas de piadas cujo conteúdo é a língua portuguesa. Esperamos que vocês as apreciem.

Humor da polissemia

  • Ao terminar o almoço com o pai, na presença de alguns convidados, disse enfaticamente o menino: - Papai estou cheio! O pai imediatamente corrigiu-o: - Diga satisfeito e não cheio.
    Pouco tempo depois, já na rua, ao ver um ônibus lotado, o menino voltou-se para o pai e disse: - Veja, pai, como aquele ônibus está satisfeito.

Humor no uso de letras

  • O secretário da empresa, na hora de agendar uma próxima reunião, sentiu dúvida na grafia de uma palavra e indagou: - Chefe, como se escreve "sexta-feira", com "x" ou com "s"?, hum, respondeu o chefe, você me pegou! Muda a reunião pra quinta-feira.
  • A palavra pharmácia já se escreveu assim, com PH. Hoje se escreve com J.( jota)

Humor do não dito

  • Uma churrascaria na cidade de São Mateus, no Espírito Santo, utilizou um "slogan" para chamar atenção de seu principal produto: Preserve o verde, coma em churrascaria.
  • Um alpinista escorregou num precipício e se agarrou numa corda,
    pendurado sobre um abismo de 500 metros. Apavorado e desesperado
    ele olha para o céu e grita:
    - Tem alguém que possa me ajudar,? Uma voz lá no alto ressoa:
    - Você será salvo se provar sua fé, largando a corda.
    O homem, olha para baixo, depois para cima e grita:
    - Tem mais alguém aí em cima que me possa ajudar?
    (Stevem Pinker: Como a mente funciona.)

Humor da ambigüidade

  • Já um motel do Rio, lançando mão da ambigüidade intencional, afixou em seus jardins um cartaz com os dizeres: É proibido trepar nas árvores.
  • Leia a placa que cabelereiro novato fixou em sua porta em sua cidade Natal: CORTO CABELO E PINTO.

Humor fonológico

  • O português machista do botequim, na praça general Osório em Ipanema, contrariado com os excessos da freguesia gay, pendurou um cartaz na parede dizendo: Viado só amanhã. Essa quem contou foi Millôr no Correio Brasiliense de 04/12/96.
  • Uma pata teve 5 patinhas. Chamou a primeira de Pata; a segunda de Peta;a terceira de Pita; a quarta de Pota. Finalmente a quinta chamou ... de Carolina

Humor no vocabulário

  • Essa já é folclórica nos meios futebolísticos.Por isso mesmo está no domínio comum.
    Numa entrevista antes de um jogo de futebol pediram ao veterano craque que fizesse um prognóstico do resultado da partida. Sem vacilar ele respondeu:
    - Prognóstico, eu sou faço depois do jogo.
  • Essa foi reproduzida por Guimarães Rosa no Prefácio de Tutaméia – Terceiras Estórias, mas na verdade ela faz parte do anedotário popular.
    Um cidadão viajava de bonde, passageiro único, em dia de chuva, sentado justamente embaixo de uma goteira .
    O condutor aflito, perguntou-lhe:
    - Por que o senhor não troca de lugar?
    - Trocar com quem? respondeu ele.

Humor na leitura de texto

  • Vinha um navio inglês em mar alto, quando a bordo os marujos avistaram uma jangada. Pensaram que eram náufragos agarrados àquela balsa rude.
    Pararam, atiraram cordas e gritaram palavras em inglês.
    Os jangadeiros, sem entender, apanharam as cordas.
    - Que será que eles querem, compadre?
    O mestre da jangada, pensou, sorriu e definiu matreiramente a situação.
    Acho que eles estão querendo reboque.

Humor nos parônimos

  • Quando era Ministro da Educação Jarbas Passarinho recebeu uma correspondência de um Reitor de uma Universidade, solicitando verbas ao "iminente" Ministro.
    No mesmo dia, Passarinho colocou-a de volta no Correio com um pequeno aditamento:
    "Esclareço ao solicitante que já fui nomeado".
    (Veja 22/01/86)

Humor na denotação/conotação

  • Há duas palavras que abrem muitas portas: puxe e empurre.
  • À saída da boate, um freqüentador bastante alegre volta-se para o porteiro e lhe diz, segurando as mãos:
    - Isso aqui é para o seu uísque. E deixa na mãos do porteiro duas pedras de gelo

Humor nos verbos

  • O diretor do colégio, ignorante na conjugação de verbos, censurou o novo professor em razão do seu atraso:
    - Professor, assim o senhor não adapita (sic) à nossa escola.
    E o professor, com ironia, explicou:
    - Mas eu me resiguino (sic), senhor diretor.

Humor na adjetivação

  • Essa já faz parte do folclore acadêmico .
    Após a vibrante palestra do jovem professor num seminário, o veterano mestre, ao debater a exposição do jovem colega, não escondeu seu sarcasmo:
    - Nessa palestra de hoje ouvimos muitas idéias novas e interessantes. Pena que as idéias novas não eram interessantes, e as idéias interessantes não eram novas.
    (Apud Moura Castro)

Humor na ironia

  • Lady Astor disse a Winston Churchil:
    - Se o senhor fosse meu marido, eu poria veneno em seu chá.
    Ele retrucou:
    - Se a senhora fosse minha esposa, eu o beberia. (Stevem Pinker: Como a mente funciona)

Humor na flexão de número

  • Um fazendeiro campista viera ao Rio a negócios e aproveitou a oportunidade para assistir a um espetáculo do circo Sarrazani, o grande sucesso do momento. Saiu entusiasmado e, ao chegar ao hotel, resolveu escrever à esposa contando as maravilhas que presenciara. Em meio da carta, estancou, porém, diante de uma frase, que assim redigira: "Mas eu gostei mesmo foi dos anãos." E raciocinou: "anãos?... anões?...Emendou então: Mas eu gostei mesmo foi dos dois anões." Voltou a meditar: - "anões?... anães?... E deu-lhe nova redação: "Mas eu gostei mesmo foi dos dois anães. "- Anãos?... Anões?...Anães?... "pensou. E encontrou por fim a forma desejada com a redação: "Mas eu gostei mesmo foi de uma anão e de outro anão." (In Celso Cunha, Língua portuguesa e Realidade Brasileira, p. 68)

Humor na semântica

  • Numa audiência no Ministério do Trabalho, Carlão, um musculoso operário demitido, reinvindica o pagamento de horas extras. Apresenta como testemunha o Tonhão, um colega de trabalho mais forte do que ele. A juíza, obedecendo a lei, é obrigada a perguntar para a testemunha:
    - Você é amigo íntimo do Carlão? Assustado ele responde:
    - Que isso, doutora? Eu sou espada! (Sérgio Duarte, Jornal do Brasil)
  • A mulher conversava com as amigas na sala e falava sobre o marido:
    - Ele é muito bom, me trata muito bem, não deixa faltar nada em casa. A única coisa que me desagrada nele é que ele é sifilítico.
    As amigas ficaram assustadíssimas, mas nesse exato momento o marido bota a cara para fora do quarto e berra lá pra sala:
    - Filatélico, mulher. Filatélico!(Colhida em ALFA, V. 39 Gil (111-1995)

Humor nas Entrelinhas das Rimas

  • Ninguém agüentava o Zé da Rima. Ele tinha a única loja da cidade e não tinha jeito. O negócio era comprar lá. Um dia chegou um forasteiro, foi lá fazer compra:
    - Bom dia!
    E o Zé:
    - Como vai Vossa Senhoria?
    - O senhor tem gravatas?
    - Bonitas e baratas!
    - E chapéu?
    - Azul da cor do céu.
    - Tem camisas?
    - Das listradas e lisas.
    - Como é o nome do senhor?
    - Zé Maria Claudionor.
    - Hummm... pena o senhor não se chamar Lacerda! (Colhida em ALFA, V. 39 Gil 111-1995)

Humor na Leitura de Mundo

  • Cientistas britânicos que estudam Psicologia do Riso selecionaram a piada mais engraçada. Segue-se a piada eleita:
  • O detetive Sherlock Holmes e seu fiel escudeiro Watson foram acampar e armaram suas barracas sob as estrelas. Durante a noite, Holmes acorda seu amigo e diz: " Watson, olhe para as estrelas e me diga o que você deduz". Watson responde: "Vejo milhões de estrelas e mesmo que poucas delas tenham planetas é possível que alguns sejam como a Terra e tenham vida". Holmes replica: "Watson seu idiota, se você está vendo as estrelas é porque alguém roubou nossa barraca". (Colhida em O Globo 07/01/02)

Humor Fonológico

  • Há a piada dos dois velhinhos que foram ao gerontologista que, depois de examiná-los, prescreveu remédios e uma dieta alimentar a ser seguida por duas semanas. Passadas as duas semanas, voltaram. O resultado deixou o médico estupefato. A velhina estava linda: sorridente, saltitante, toda maquiada. O velhinho, um caco, trêmulo, pernas bambas, dentadura frouxa, apoiado na mulher. Como explicar isso, que uma mesma receita tivesse produzido resultados tão diferentes? Depois de muito investigar o médico atinou com o acontecido. "Mas eu mandei o senhor comer aveia três vezes ao dia e o senhor comeu a véia três vezes ao dia?" Colhida em Rubens Alves; Entre a ciência e a sapiência. Layola p. 112 /113.

Humor ambigüidade no conteúdo temático.

  • A família comia tranqüila quando, de repente, a filha de 10 anos comenta:

    - Tenho uma má notícia... Não sou mais virgem! Sou uma vaca! E começa a chorar, visivelmente alterada, com as mãos no rosto e um ar de vergonha.

    Silêncio sepulcral na mesa. De repente, começam as acusações mútuas:

    - Isto é por você ser como é! - marido dirigindo-se à mulher - Por se vestir como uma prostituta barata e se arreganhar para o primeiro imbecil que chega aqui em casa. Claro que isso tinha que ocorrer, com este exemplo que a menina vê todo dia!
    - E você - pai apontando para a outra filha de 25 - anos que fica se agarrando no sofá e lambendo aquele palhaço do teu namorado que tem jeito de gay.

    Tudo na frente da menina! A mãe não agüenta mais e revida, gritando:

    - E quem é o idiota que gasta metade do salário com as mundanas e se despede delas na porta de casa? Pensa que eu e as meninas somos cegas? E além disso, que exemplo você pode dar se, desde que assinou esta maldita TV a cabo, passa todos os finais de semana assistindo a pornôs e depois se tranca acaba no banheiro.

    Desconsolada e à beira de um colapso, a mãe, com os olhos cheios de lágrimas e a voz trêmula, pega ternamente na mão da filhinha e pergunta baixinho:

    - Como foi que isso aconteceu, minha filha? E, entre soluços, a menina responde:
    - A professora me tirou do presépio! A Virgem agora é a Vanessa, eu vou fazer a vaquinha...

    (Colhida na Internet. Com adaptações)

Humor na pragmática.

  • Um viajante perdeu-se no deserto e começou a sentir a tontura da fome e da sede. Quando se achava quase exausto de cansaço, viu, a certa distância, um pequeno saco, decerto caído de alguma das caravanas que atravessam essas regiões. Imaginou logo que fossem tâmaras ou quaisquer outras frutas com que pudesse mitigar a fome e a sede, pelo que ia dar graças a Deus. Quando, porém, abriu o saco viu que este continha pérolas do mais alto valor. Desanimado de todo, atirou-o para o chão num gesto de indiferença, exclamando:

    - “São somente perolas!”